AVENTURAS NA NUBILANDIA (4)


Joel e Vera descobrem a Floresta-dos-mistérios


O Sol já se tinha posto, e os Núbios, radiantes por terem jogado o jogo da cor, regressavam agora às suas tarefas habituais, enquanto Joel e Vera iam sobrevoando uma região da Nubilândia depois da outra. Era imensa a curiosidade que tinham por conhecer aquele país feito de nuvens, que tanto os fascinava!…


A certa altura, quando sobrevoavam a Região-das-nuvens-brancas, os meninos avistaram, lá bem no fundo, escondida no interior das espessas nuvens brancas, uma floresta toda colorida, que logo os seduziu… E as asas mágicas, adivinhando os seus desejos, levaram-nos imediatamente até lá.


Era uma floresta enorme, que parecia mágica… Chamava-se a Floresta-dos-mistérios, e era ali que viviam as nove Musas: a Clio, a Calíope, a Euterpe, a Melpómene, a Tália, a Terpsícore, a Erato, a Polímnia e a Urânia.

As Musas eram já milenárias, mas pareciam ainda muito jovens, e eram muito bonitas: usavam uns vestidos de cores brilhantes que cintilavam como a luz das estrelas, e tinham todas cabelos louros, muito compridos e ondulados, enfeitados com pérolas de água doce. Viviam num rio encantado que percorria a Floresta-dos-mistérios. Habitavam em palácios construídos no fundo das águas e tinham muitos servos: os Giraldos.

Os Giraldos eram ainda mais pequeninos do que os Núbios, e eram transparentes como uma gota de água. Tinham cerca de vinte centímetros de altura, e uma cabeça demasiado grande, em relação ao seu corpo. Flutuavam no ar, como os Núbios, mas sempre em círculos, ou seja, giravam por todo o lado, a grande velocidade…


Nas duas margens do longo rio, havia muitas árvores mágicas: umas faziam música; outras cantavam; outras ainda, dançavam; e todas elas falavam. Podes crer! Falavam como tu e eu, e cada uma delas dominava uma língua diferente: o português, o espanhol, o francês, o inglês, o holandês, o chinês, o sueco, o dinamarquês, o alemão, o búlgaro, o russo, o japonês, o italiano… e sei lá quantas línguas mais!… Todas as línguas e dialetos que se falam no nosso planeta Terra! E sabes quem as tinha ensinado? As Musas, claro está, com a ajuda dos Giraldos. É mesmo verdade! Os Giraldos eram muito pequeninos, mas eram excelentes professores. Eram eles que guardavam os conhecimentos que as Musas iam transmitindo a todos os seres vivos que revelassem o desejo de aprender. Por isso, na Nubilândia, eles eram considerados ‘Os Guardiões da Sabedoria’.


Joel e Vera passearam algum tempo pela Floresta-dos-mistérios, observando e ouvindo, com muita atenção, o que as árvores faziam e diziam em voz alta.

Uma das árvores que dançavam aproxima-se do Joel e pergunta-lhe, em português:

– Queres dançar comigo?

Mas Joel recusou. Dançar era para meninas, não era para rapazes – argumentou.

A árvore ficou triste, porque gostava muito de dançar; ainda assim, resolveu acompanhar as crianças na sua caminhada ao longo do rio que atravessava a Floresta-dos-mistérios. Deslizando no chão, formado por nuvens escuras e muito densas, sobre o qual Joel e Vera andavam a passos lentos, seguia-os a curta distância.


– Porque nos persegues? – pergunta-lhe, incomodado, o Joel, passado algum tempo.

– Eu não vos persigo, só vos acompanho no caminho. A Floresta-dos-mistérios  é muito extensa, e vocês vão precisar de um guia…

– E como consegues tu movimentar-te, se és uma árvore e não tens pés? E as tuas raízes, que lhes aconteceu? Não vejo que tenhas raízes!… – argumentou, estupefacta, a Vera.  

– Só porque tu não as consegues ver, não quer dizer que eu não tenha raízes… Claro que tenho! Todas as árvores têm raízes, e as minhas são até muitíssimo longas: atravessam a atmosfera e vão da Nubilândia à Terra!


As crianças inspecionaram a parte inferior do tronco da árvore, mas…nada! Não conseguiam encontrar nem uma única raiz…

– É escusado procurarem! Para os terráqueos, as minhas raízes são invisíveis… Só os habitantes da Floresta-dos-mistérios conseguem vê-las… Até mesmo os Núbios – esclarece a árvore – têm de ter sido primeiramente iniciados nos mistérios da Nubilândia, para serem capazes de as ver…  

– E nós – pergunta o Joel –, também podemos ser iniciados nesses mistérios? Nós também queremos ficar a viver na Nubilândia… Foi por isso que a Fada-rainha nos deu um par de asas… Temos permissão de voar para onde desejarmos…

– Não precisais de voar, a Pirâmide de Simion, situa-se aqui na Floresta, e é lá que os Núbios são iniciados nos mistérios…

– Fica perto? Podes levar-nos até lá? – pergunta o Joel.

– Perto, não fica… e eu só posso acompanhar-vos até à ponte que faz a ligação entre esta margem do rio e aquela, do lado de lá… As minhas raízes estão fixadas a esta margem, só posso deslizar deste lado do rio.


Joel e Vera já ficaram felizes por a árvore poder acompanhá-los até à ponte. Do lado de lá, havia muitas árvores que habitavam aquela margem do rio, alguma haveria de os ajudar…

– Mas porque são tão compridas as tuas raízes, porque chegam até à Terra? – pergunta Vera, que era muito curiosa.

– As raízes das árvores da Floresta-dos-mistérios são as antenas da Nubilândia: recebem as ondas eletromagnéticas que os terráqueos emitem, quando expressam desejos verdadeiros, e transformam cada um desses desejos numa das sementes que crescem nos seus ramos. Depois, vêm os Giraldos, colhem as sementes e levam-nas consigo para os palácios das Musas, que estão construídos no fundo do rio da Floresta…


Joel e Vera observaram então, pela primeira vez, os ramos da árvore que falava português, e puderam verificar que eles estavam realmente cheios de sementes, pequenas e coloridas…

– Os teus ramos já estão repletos de sementes – diz a Vera, dirigindo-se à árvore –, porque têm cores diferentes?

– As cores variam consoante o tipo de desejo que é expresso. Os terráqueos têm muitos desejos diferentes… Só é importante que o desejo seja verdadeiro, porque as minhas raízes só conseguem captar as ondas eletromagnéticas mais fortes.


Joel ouvia, com atenção, estas explicações que a árvore dava, e pensava de si para si, se o seu desejo de destruir a escola também teria sido transformado numa semente… Que cor teria?… Também teria sido colhido por um Giraldo e levado para o palácio de alguma Musa? Ficou um tanto intrigado com a ideia, e resolveu perguntar:

– E o que fazem as Musas com as sementes?

– Isso, eu não sei. Terás de perguntar a um Giraldo…

– Mas não anda por aqui nenhum…

– Claro que não! Os Giraldos só passam por aqui quando os ramos de todas as árvores da Floresta-dos-mistérios estão completamente cheios de sementes coloridas. Aparecem de surpresa, colhem muito rapidamente as sementes, e regressam ao fundo do rio, girando a toda a velocidade. Quando mergulham, até provocam nas águas do rio muitos remoinhos…


Joel pensou que ainda não sabia nadar, e mesmo que já soubesse, não conseguiria mergulhar até ao fundo do rio, no entanto, gostaria imenso de conhecer por dentro os palácios das Musas, ver como elas viviam, o que faziam com as sementes que os Giraldos colhiam dos ramos das árvores. Talvez, mesmo, encontrar a sua semente…

Subitamente, porém, tomou consciência de que as asas que a Fada-rainha lhe tinha dado já não adivinhavam os seus pensamentos, já não o levavam aos lugares que ele desejava conhecer… De contrário, já o teriam levado até ao fundo do rio. Porque seria?… Olhou para as asas da Vera e compreendeu que as dela tinham um aspeto diferente: estavam imóveis e pareciam mais pequenas…

– As tuas asas estão a diminuir! – exclamou aflito.

Vera parou repentinamente. Observou o Joel, assustada, e replicou:

– As tuas também!

O que se estaria a passar? Como poderiam agora as crianças regressar ao castelo da Fada-rainha? Teriam de ficar para sempre na Floresta-dos-mistérios?…   


D. Momo King

momo@momolandia.com

Eu sou o célebre D. Momo King, um esquilo-voador-anão. Nasci no Bosque dos Momongas. Contudo, por ter sido sempre um rebelde, voei por cima da alta muralha que cerca todo o bosque e fui viver, ainda muito jovem, para uma floresta vizinha: a Floresta Encantada. Lá, fui iniciado nos mistérios de uma ordem secreta pelo Mestre Porfírio, um anão muito especial. Mais tarde, autoproclamei-me rei da Momolândia, um reino que fundei na Floresta Encantada. Sou alquimista, artista iluminado e o autor deste blog, que vou construindo, com muito carinho, para ti.

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